Olá queridos,
Tudo bem? A vida por aqui em Sampaulo anda um pouco corrida, como sempre, muitas coisas para fazer o tempo todo e pouco tempo para aproveitar, de fato, as boas coisas que a cidade sempre oferece... Parece que viver por aqui é uma tentativa permanente de equilibrar os porfazeres e os porprazeres... Não há muita lógica nisso, e, às vezes, o mais fantástico de viver nessa cidade cheia de vida é se deixar guiar mesmo pelos acasos que nos acomentem quase que diariamente... Se houvesse alguma f'órmula, para a vida que não pára nunca de acontecer a cada esquina, a cada instante, seria não pensar muito e apenas se permitir vivenciar as experiências mais diversas, estranhas, violentas, intensas, dispersas...
De vez em quando, eu tiro o dia para prestar atenção em alguma coisa específica - até parece que a vida pode ter algum método!: saio de casa só escutando os sons, outro dia percebendo as cores, outro ainda as pessoas, os gestos, as roupas... Gosto também de ficar escutando os diálogos fragmentados das falas e imaginando as histórias de cada pessoa, por trás daquela frase solta que eu escutei de relance... Às vezes, fico imaginando que nome a pessoa teria, porque aqui somos todos anônimos.... E estamos sempre correndo, de um lado para o outro. Nunca parando de correr...
Quando estou de bom-humor, converso com as pessoas que se sentam ao meu lado no ônibus e também faço isso mesmo quando estou de mau-humor: conversar é sempre bom, para qualquer coisa, em qualquer lugar, inclusive para o mau-humor passar... Adoro conversar em fila de banco, com o caixa do supermercado... Vocês acreditam que outro dia fui atendida por uma moça que se chamava Setímia? Fiquei pensando da onde vinha esse nome... E o rapaz de trás da fila já foi logo dizendo que era bíblico, que trazia a idéia do sétimo dia da criação do mundo... Rimos alto, sem pensarmos nas crenças de cada um. A Setímia é baiana. Aliás, aqui tem todo tipo de baiano, baiano do Piauí, baiano do Ceará e até baiano da Bahia, que é o tipo mais comum de baiano, todos vindos do Norte. Imaginem: aqui somos todos baianos!
Agora o tempo mudou, de um dia para o outro, assim, como sempre é em Sampaulo, e esfriou de vez, o inverno chegou com força e é "capaz de cair um toró..." Ah, nem tão cedo tenho previsão de viajar pro Ceará e março já corre longe... Ai ai... Mas tinha resolvido escrever era para contar das novidades e não ficar falando das saudades! Pois olha que coisa estranha: dia desses, no meio do corre-corre da vida, aconteceu uma coisa que eu só posso achar, no mínimo, engraçada: estava saindo para comprar pão, de manhã cedo, e daí encontrei um caderno, do lado do portão do prédio. Peguei o caderno e folheei, assim, folheando sem dar muita importância... Sem entender direito o que era... Pois fiquei impressionada!
O caderno, vou colocar umas fotos dele aqui embaixo para vocês verem, é cheio de escritas! Desejos, sonhos, amor e coisas super cotidianas, fala de bicicleta lençol samambaia e também do Virgulino Ferreira... Imaginem, o próprio Lampião! E tem até música do Roberto Carlos! Olhem, vejam aí como é ótimo!


Não é engraçado? Depois disso, conversei com uns amigos que são daqui de Sampaulo e eles me falaram que no meu bairro tem uns "loucos" que escrevem e que deixam esses cadernos por aí... Guardei o caderno e já mostrei para várias pessoas, algumas delas ficaram com um pouco de medo, dizendo que é coisa de macumba... Eu não ligo muito, mas desde que achei o caderno fico pensando que eu tenho que fazer alguma coisa com ele... Não sei direito o que devo fazer - às vezes as idéias precisam de um tempo maior para acontecer...
E aí, de tanto pensar, eu acabei tendo essa idéia: acho que agora eu tenho que colecionar histórias de amor das pessoas... Já pensei em tudo, talvez seja um pouco difícil, mas vai dar tudo certo, vejam só e me digam: primeiro eu pensei em colocar umas caixas pela cidade, para recolher histórias, mas isso ia sair meio caro, então acho que vou começar pelo meu bairro, indo ali na feira - como o meu avô que era caixeiro viajante e percorria as cidades do interior do Ceará - , com uma mala e uma banquinha e conversando com as pessoas... (Tipo essa banquinha de PARATODOS da foto que o Raphael tirou!)

Penso também em entrar em contato com o jornal do bairro para ter um apoio de uma mídia e poder divulgar a idéia através de outros meios... Vou fazer uns cartões e distribuir por aí, para promover o projeto e poder receber histórias... Vocês também podiam me ajudar, falando para os amigos escreverem, mesmo que seja com pseudônimo... Vejam o que acham e me digam! Depois, penso em juntar tudo e fazer um livro da minha coleção de histórias de amor que começa com um caderno e não sei como termina... Depois, vou também alugar uma caixa postal para poder receber cartas escritas à mão... Mas já para começar vocês podem enviar suas histórias de amor escrevendo um email para eucolecionohistoriasdeamor@gmail.com, porque 5 minutos de amor são suficientes para mudar a vida...
abraços na mãe e no pai,
ez
